Pontuações sobre a Formação da Subjetividade

Pontuações sobre a Formação da Subjetividade

Em termos psicanalíticos, o nascimento de uma estrutura subjetiva em um ser humano, após seu nascimento, se daria quando e em qual conjuntura?

Penso algumas hipóteses que relacionam a entrada da criança na linguagem com esse momento de subjetivação.

O Desejo da mãe por uma criança talvez seja o ponto de partida para essa criação de um ser, aquele que nasce como uma libra de carne.

Na conjuntura desse desejo e a incidência do Nome do Pai temos então a entrada de uma criança no simbólico e no mundo neurótico.

Outras estruturas teriam realmente um enquadramento diferente logo nesse início, como na psicose e autismo.

Sabemos da importância e da diferença que faz quando uma mãe acaricia seu bebê e já ali no toque vai criando essa relação e causando os primeiros impactos ou marcas no corpo da criança.

No capitulo a mãe do édipo, de Marcus André vieira, ele apresenta que o destino do filho é uma incógnita, definida a partir da articulação entre um significante e essa função misteriosa do desejo da mãe.

 A função nome do pai, será ela que separa o gozo da mãe de um possível desejo dela pela criança, de uma maneira onde possa haver não uma cola mãe-bebê, mas sim a famosa presença e ausência e mais ainda, o terceiro elemento detentor do dom do amor.

Sabemos que o nome do pai como função não é definido pela figura do Pai, mas algo ou alguém que se torne esse representante.

Segundo Lucas Napoli, 2010, o bebê adora todo esse desejo que a mãe lhe deposita, porquanto suas necessidades encontrem sempre um objeto com o qual se saciar, de modo que o bebê ainda não tem que lidar com a angústia da transformação da necessidade em desejo, isto é, de um ímpeto que pode ser saciado em outro em que isso é impossível. A mãe, por sua vez, usualmente nutre a fantasia de que está completa por estar com o bebê, fantasia que é construída desde a gravidez. A criança, portanto, ocupa no imaginário da mãe o lugar de um objeto que sacia completamente o desejo, o que, em psicanálise se convencionou chamar de falo. Aliás, é justamente esse objeto que será o motor principal da situação edípica para Lacan. É o falo que circulará na cabecinha do bebê e nas cabeçorras de papai e mamãe como o grande objeto de desejo.

O Édipo lacaniano tal como o descrevemos acima dá conta do que se passa com a maioria dos sujeitos. Ele produz uma estrutura neurótica. O que é um neurótico? Para Freud e Lacan é o que a maioria de nós somos, isto é, seres que vivem imersos na fantasia de que é possível um gozo completo, uma felicidade plena aqui “debaixo do sol” e que abarrotam os consultórios de psicólogos e psicanalistas precisamente por não conseguirem abdicar dessa ilusão e viverem de pequenas ilusõezinhas que logo se revelam falhas – e dá-lhe sintomas e mais sintomas.

Ligia Gomes Victora, março 2016, descreve que Lacan, no seminário O objeto da Psicanálise (1965/66), propôs que o objeto do desejo, chamado por ele de objeto a, pudesse ser tomado de três maneiras: 1) no Real (enquanto desejo inconsciente, inapreensível); 2) no Simbólico (tudo o que possa suscitar desejo com o discurso e provocar o gozo fálico); e 3) no Imaginário – como os objetos destacáveis do corpo, mas que se mantêm sempre circulando por suas bordas: seio, fezes, e ainda funções como o olhar e a voz, tomadas como objetos.

Acredito que na estruturação subjetiva do ser neurótico deve ocorrer uma operação simbólica e já na psicose e autismo essa operação falha.

O complexo de castração é fundante do ser! Infopédia, 2003-20020, descreve O complexo de castração compõe, juntamente com o complexo de Édipo, a base onde a estrutura dos desejos que funda e institui o sujeito na sua relação com o mundo opera a sua subjetividade. Reconhecer que os limites do corpo estão aquém dos seus desejos é admitir a quebra de um certo sentimento de onipotência que o eu insiste em sustentar, na nossa relação imaginária com o outro.


Constituir-se sujeito desejante, na sua origem, através da ameaça da castração para o menino e da inveja do pénis para a menina é fincar os pés na existência tendo-a marcada pelo trauma que recalca o desejo incestuoso do objeto para sempre perdido, a mãe (função materna). É o peso do processo civilizacional, a atuar através da estrutura edípica, que impõe ao sujeito humano o recalque das suas pulsões, constituindo-o como sujeito.

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