Algumas pontuações sobre a relação de objeto no autismo

Algumas pontuações sobre a relação de objeto no autismo

Para falar de relação de objeto no autismo, é necessário pensar no que define uma relação de objeto para a Psicanálise?

Para começar a trilhar esse caminho, busco a compreensão do conceito de pulsão, como um mediador dessa relação objetal entre sujeito e o Outro.

Freud descreve a pulsão como o limite entre o corpo e a psique, um estímulo interno psíquico do corpo que vai procurar satisfação no mundo externo, a partir de sua relação alo-erótica e posteriormente sua relação com o “objeto perdido”.

Ele sita em As Pulsões e suas Vicissitudes (1915):

– “Se abordarmos agora a vida psíquica do ponto de vista biológico, a “pulsão” nos aparecerá como um conceito-limite entre o psíquico e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que provêm do interior do corpo e alcançam a psique, como uma medida da exigência de trabalho imposta ao psíquico em consequência de sua relação com o corpo. Podemos agora passar a discutir alguns termos utilizados em conexão com o conceito de pulsão, tais como: pressão [Drang], meta [Ziel], objeto [Objekt] e fonte [Quelle] da pulsão.”

Continuamente, é necessário entender que a pulsão busca sempre a satisfação e que essa é encontrada no próprio corpo e na relação com os objetos parciais. Objetos parciais, como assim?

Primeiro vamos citar o objeto da pulsão, descrito por Freud, novamente em seu texto, As Pulsões e suas Vicissitudes:

– “O objeto da pulsão é aquilo em que, ou por meio de que, a pulsão pode alcançar sua meta. Ele é o elemento mais variável na pulsão e não está originariamente vinculado a ela, sendo-lhe apenas acrescentado em razão de sua aptidão para propiciar a satisfação. Em rigor, não é preciso ser um outro [fremd] objeto externo, pode muito bem ser uma parte de nosso próprio corpo. Ao longo dos diversos destinos que a pulsão conhecerá, o objeto poderá ser substituído por intermináveis outros objetos, e a esse movimento de deslocamento da pulsão caberão os mais significativos papéis.”

Quando falamos de objeto parcial, remetemos ao fato de que a pulsão nunca se satisfaz totalmente em suas relações com os objetos do mundo e sim será possível uma satisfação parcial, algo se perde nesse caminho.

Podemos pensar a partir disso no o conceito de objeto perdido.

 O objeto perdido é aquele jamais encontrado novamente e que diz de uma satisfação primordial do bebê em sua relação com o Outro materno, que está associada a satisfação primeira e única da necessidade corporal e o encontro da boca do bebê com o seio e leite materno.

Luiz Alfredo Garcia Roza, em seu livro Freud e o Inconsciente, faz menção à Freud para dizer do aparecimento do desejo através da satisfação da necessidade:

– Um bebê recém-nascido, premido pela fome, chora, esperneia e agita os braços numa tentativa inútil de afastar o estímulo causador da insatisfação. A intervenção da mãe oferecendo-lhe o seio tem como efeito a redução da tensão decorrente da necessidade e uma consequente experiência de satisfação ( Befriedigungserlebnis) Freud, ESP, V5, IV-V, pp602-3.

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